Sistema de bibliotecas da UFRN
Histórico e Missão

A Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM) teve sua criação através da Resolução Nº 14, emitida pelo Conselho Universitário, em 02 de maio de 1959, que delegou poderes ao Magnífico Reitor, Onofre Lopes, para providenciar a instalação da Biblioteca Central. Nasceu como “Serviço Central de Biblioteca” e coordenava as atividades técnicas e administrativas das Bibliotecas das Faculdades Isoladas. Estruturou-se através da grande contribuição da Bibliotecária Zila da Costa Mamede, que atuou como profissional responsável pelas bibliotecas das primeiras faculdades isoladas da Universidade.

 

Em 24 de junho de 1974, com a Reforma Universitária (Decreto 74.211) que reestruturou a Universidade, houve a determinação que o Serviço Central de Bibliotecas passasse a ser chamado de “Biblioteca Central da UFRN”. Ainda em 14 de novembro do mesmo ano foi aprovado, através da Resolução Nº 140/74-CONSEPE, o Guia Regulamento, provavelmente o primeiro documento com normas e padrões oficiais para o SISBI.

 

No ano de 1975, com a inauguração do conjunto arquitetônico da Reitoria, houve a desocupação de parte do prédio, originalmente construído para sediar a Biblioteca Central, mas que até aquele momento cedia espaço para a acomodação provisória do Gabinete do Reitor, assim a Biblioteca disponibilizava seus acervos apenas no seu piso inferior, porém com a desocupação, a Biblioteca Central da UFRN passou a contar com a área total de 3.737,22m².

 

Durante a gestão do Reitor Diógenes da Cunha Lima, mais especificamente no mês de maio de 1983, foi inaugurada novas instalações da Biblioteca, ampliando assim a sua área para 4.937,32 m².

 

Em 1985, após falecimento de Zila da Costa Mamede, primeira bibliotecária do estado, Diretora da Biblioteca Central durante o período de 1959 a 1980, bem como idealizadora/organizadora do Sistema de Bibliotecas da UFRN, por meio da Resolução 120/CONSUNI de 09/12/1985, a Biblioteca Central da UFRN passou a ser chamada Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM).

 

Em maio de 2011, na gestão do Reitor José Ivonildo do Rêgo, foi inaugurado um novo prédio, conhecido com Anexo, que possui uma área de 3.649,17 m², distribuídas em três pavimentos; ampliando assim a estrutura da Biblioteca Central Zila Mamede, que hoje possui uma área total de 8.586,49m².

 

O prédio base da BCZM, com uma área de 4.937,32 m² compreende: Direção, Secretaria, Coordenadoria das Bibliotecas Setoriais, Coordenadoria de Seleção e Aquisição (Setor de Compras, Setor de Doação e Seção de Intercâmbio), Coordenadoria de Processos Técnicos (Setor de Catalogação e Classificação, Seção de Apoio Técnico e Setor de Restauração), Coordenadoria de Apoio Tecnológico (Setor de Suporte Técnico) e Coordenadoria de Apoio ao Usuário, com: Setor de Informação e Referência, Setor de Repositórios Digitais, Setor de Coleções Especiais (periódicos, teses e dissertações, anais de eventos, multimeios, etc.), Setor de Circulação (acervos das classes 7 - Arte, Recreação, Diversões e Esporte -, 8 - Linguagem, Linguística e Literatura- e 9 - Geografia, Biografia e História - Coleção de Desbaste), Videoteca (30 lugares), Auditório (138 lugares), Salas de estudo individual 06 salas de estudo em grupo, Reprografia, Balcão de guarda-volumes, áreas para leitura, instalações sanitárias e outras.
           

Enquanto o prédio anexo possui uma área de 3.649,17m², distribuídas em três pavimentos. O térreo compreende o Miniauditório (50 lugares), Laboratório de Informática (20 lugares), Laboratório de Acessibilidade (Setor da Coordenadoria de Apoio ao Usuário da Biblioteca Central Zila Mamede, responsável por produzir material informacional em diferentes formatos acessíveis e orientar e capacitar os usuários na utilização das tecnologias assistivas) e Sala para Serviços Internos. Entre o primeiro e o segundo pavimentos temos um salão para Estudo Individual, além de Hall. No segundo e terceiro pavimentos dispomos de Áreas de Acervos que agrupam as coleções das classes: 0 (Generalidade, Ciência e Conhecimento), 1 (Filosofia e Psicologia), 3 (Ciências Sociais, Direito e Administração Pública), 5 (Matemática e Ciências Naturais) e 6 (Ciências Aplicadas, Medicina e Tecnologia). No terceiro pavimento também temos a Sala de Obras Raras, que disponibiliza livros raros, Folhetos e Coleção Brasiliana; em todos os pavimentos existem áreas para estudo em grupo e instalações sanitárias.

 

A BCZM é uma unidade suplementar da Universidade Federal do Rio Grande do Norte diretamente subordinada à Reitoria, regulamentada pelas normas constantes no seu Regimento Interno. É o órgão central executivo do Sistema de Bibliotecas da UFRN (SISBI), responsável pela coordenação, planejamento e fiscalização das atividades técnicas das unidades de informação que compõem esse Sistema.

 

Tem como missão “fornecer suporte informacional às atividades de ensino, pesquisa e extensão, contribuindo com a geração de produtos e serviços em ciência, tecnologia e inovação na UFRN”.

 

Dispõe de amplas áreas de acervo, duas salas de estudos individual climatizadas, sendo uma no prédio base com 48 cabines distribuídas em uma área aproximada de 135,85m² e nas novas instalações com 88 cabines, numa área de 194,95m²; e, ainda, sete salas de estudo em grupo, também climatizadas, com um total de 124,21m². Além das cabines para estudo individual a BCZM, também disponibiliza 133 mesas (de tamanhos variados) e 451 assentos para estudo em grupo.


O acervo geral da BCZM, até outubro 2017, compreende um total de mais d426.110 volumes, distribuídos em exemplares e fascículos, ou seja, livros, folhetos, periódicos, teses, dissertações e Multimeios das diversas áreas do conhecimento. Além disso, disponibiliza a comumunidade universitária acesso a 3.536 Livros Digitais, sendo 42 títulos da Atheneu (Área de Saúde) e 3.493 da Springer, distribuídos nas seguintes áreas: Arquitetura, Artes e Design; Ciências do Comportamento; Ciências Biomédicas e Biologia; Economia e Negócios; Química e Ciência dos Materiais; Ciências da Computação; Ciências Ambientais e da Terra; Engenharia; Humanidades, Ciências Sociais e Direito; Matemática e Estatística; Medicina; Física e Astronomia; Computação Profissional e Web Design.



Zila da Costa Mamede

 

A Bibliotecária e poeta Zila Mamede nasceu em 15 de setembro de 1928, em Nova Palmeira, município fundado por seu avô e por seu padrinho de batismo, hoje município do estado da Paraíba. Ainda criança, por volta dos cinco a seis anos de idade, mudou-se para o interior do Rio Grande do Norte, mais precisamente para a cidade de Currais Novos. Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, Zila veio morar em Natal.

 

Iniciou sua carreira em 1954, quando assumiu o cargo de Auxiliar de Biblioteca da Biblioteca do Instituto de Educação do Rio Grande do Norte (hoje Atheneu Norte-Riograndense). No final do mesmo ano recebe o Certificado do Curso Intensivo de Biblioteconomia, expedido pelo Instituto Nacional do Livro (INL), através do Programa de Assistência Técnica às Bibliotecas Brasileiras.

 

No ano de 1955 é aprovada no vestibular para do curso de Direito da Universidade do Rio Grande do Norte, porém o tranca, pois fora aprovada no vestibular para o Curso de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Entre 1955 e 1956, cursou Biblioteconomia no Rio de Janeiro, trabalhou como Auxiliar de Biblioteca do Instituto de Matemática Pura e Aplicada do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e ainda fez uma especialização nos Estados Unidos.

 

Retornando a Natal, reassume seu cargo no Instituto de Educação do Rio Grande do Norte; em seguida é nomeada Bibliotecária da Sociedade Cultural do Brasil - Estados Unidos- SCBEU, em Natal (1957). Em 02 de maio de 1959 é nomeada Chefe do Serviço Central de Bibliotecas (SCB) da Universidade do Rio Grande do Norte, onde planeja, implanta e organiza o Serviço Central de Bibliotecas, coordenando as atividades das Bibliotecas das Faculdades Isoladas (1959–1974). No mesmo ano, elabora e coordena o primeiro curso para Auxiliares de Bibliotecas, na antiga Faculdade de Filosofia de Natal e assumiu a Diretoria de Documentação e Cultura da Prefeitura Municipal de Natal.

 

Zila também trabalhou como professora do curso intensivo de Biblioteconomia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, em Natal (1959); reorganizou a Biblioteca do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (1959); assumiu no Setor de Análise de Documentos, da Divisão de Documentação da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), Recife (1962).

 

Em março de 1964 inicia Pós-Graduação no Curso de Mestrado em Biblioteconomia da Universidade de Brasília-UnB e se responsabiliza pela orientação de alunos na disciplina Bibliografia (nível de Graduação) como instrutor-bolsista da UnB e deixa como resultado de seu Mestrado o “Catálogo de Obras Raras do século XVI a XVII: pertencentes à UnB”.

 

No ano de 1968, coordena o Levantamento das Bibliotecas para a Ciência & Tecnologia das Universidades do Nordeste e Órgãos de Pesquisa Correlatos, para a criação de um Serviço de Informação e Documentação Técnico Científica da Região (Convênio CNPq/SUDENE).

 

De 1969 a 1972 coordena a implantação da Biblioteca Pública Estadual Câmara Cascudo. Em 1974 planeja, organiza e instala o acervo básico necessário ao funcionamento dos cursos da UFRN, representando a Biblioteca Central (antes Serviço Central de Bibliotecas da UFRN) e é nomeada Diretora da Biblioteca Central da UFRN, ficando no cargo até 20 de março de 1980, quando se aposenta.

 

Em 02 de maio de 1983, a convite do então Governo do Estado, José Agripino Maia, assume a Coordenação da Biblioteca Pública Estadual Câmara Cascudo; em 1984 implanta o Sistema de Bibliotecas do Estado “Caixas Estantes” em convênio FJA/INL e em 13 de dezembro de 1985, morre afogada enquanto nadava na Praia do Meio, situada na costa litorânea, próxima ao Forte dos Reis Magos, em Natal, como fazia quase que diariamente.

 

Zila Mamede foi bibliotecária e poeta, obteve destaque nas duas atividades. Como bibliotecária, é o principal nome da biblioteconomia do Rio Grande do Norte, participou de cursos nos grandes centros brasileiros e até mesmo fora do Brasil. Como poeta, rompeu o jejum potiguar após a efervescência de Jorge Fernandes; publicou obras de poesia e técnicas, tais como: “Rosa de Pedra” (1953), “Salinas” (1958), “O arado” (1959), “Luís da Câmara Cascudo: 50 anos de vida intelectual, 1918-1968: bibliografia anotada” (1970, 2 volumes, 3 Tomos), “Exercício da palavra (poesia 1959/1975)” (1975), “Navegos (poesia reunida 1953-1978” (1978), “Catálogo das Publicações da Fundação José Augusto, 1965-1984” (1984) e “A Herança” (1984).