Galeria Conviv’art homenageia artista paraibana em exposição

A artista Célia Albuquerque é homenageada na exposição Sobre Viver, que terá abertura na Galeria Conviv’Art da UFRN nesta quinta-feira, 6 de agosto, às 18h30. Com obras que exploram a natureza e as fachadas de prédios antigos de Natal, a exposição estará disponível na galeria entre os dias 7 e 26 de agosto, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h.
O trabalho de Célia procura valorizar os ambientes que fazem parte da memória coletiva enquanto símbolos da vivência na capital potiguar. Fachadas, janelas, lambrequins e gradis estão representados em sua produção artística, além de pinturas que retratam árvores, pássaros e até mesmo abacaxis. A artista também produziu pinturas em cerâmica, com composições florais e mosaicos coloridos.
A curadoria da exposição é assinada por Cecília Chrispim, filha de Célia Albuquerque. A curadora buscou dar maior visibilidade à paixão da mãe pela arquitetura, pela pintura e pelo desenho. “Na curadoria, busquei trazer um pouco da essência do trabalho de Maria Célia de Albuquerque, sobretudo os aspectos voltados à preservação do patrimônio histórico e à preservação ambiental”, explica.

“Como uma apaixonada pelo patrimônio histórico da cidade, ficava triste e apreensiva com relação à demolição e à descaracterização arquitetônica das construções”, ressalta Cecília. “O desmatamento, as queimadas, a impermeabilização e a vida agitada dos moradores provocavam a perda da relação do homem com o meio ambiente. Os pássaros abundantes em sua infância já não eram vistos nem ouvidos com frequência”, complementa.
Nascida em 1º de março de 1948, em Itabaiana, na Paraíba, Maria Célia de Albuquerque tem como marca em suas obras paisagens bucólicas e árvores frondosas, retratadas em diferentes tonalidades. Desde os oito anos, já trabalhava com arte, auxiliando as freiras do colégio onde estudava. “Falava sempre com orgulho de ser a cidade onde o músico e compositor Sivuca também havia nascido”, relata sua filha.
Em 1972, chegou a Natal e trabalhou em diversos locais da cidade: foi professora de Artes no Colégio Marista; atuou na Biblioteca Câmara Cascudo, no setor de audiovisual; trabalhou na Secretaria da Fazenda como auditora fiscal, ao mesmo tempo em que conciliava essa atividade com o trabalho em seu ateliê.

“Nos últimos anos, dedicou-se à produção de aquarelas e caligrafias voltadas para convites, trabalho que a fascinava pela leveza e pela possibilidade de transformar o sonho de nubentes e debutantes em uma bela apresentação”, descreve Cecília. Uma de suas últimas falas, segundo a filha, foi: “Quero que me conheçam”, dita enquanto era atendida por enfermeiros em casa, a quem sempre acolhia com boas conversas. Maria Célia faleceu em 18 de junho de 2025.
A exposição é realizada pelo Núcleo de Arte e Cultura (NAC) da UFRN, com apoio da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Universidade.