Estudantes do CCSA desenvolvem propostas de serviços para bibliotecas
Durante o semestre 2026.1, estudantes do curso de Biblioteconomia, vinculado ao Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) participaram de uma atividade que aproximou os conhecimentos desenvolvidos em sala de aula da realidade de três unidades de informação de Natal. A iniciativa foi realizada no âmbito das disciplinas Estudos de usuários da Informação e Serviços de Informação e Referência, ministradas pela professora Ilaydiany Oliveira da Silva.
A proposta levou os estudantes a conhecerem diferentes bibliotecas a partir das necessidades e práticas de seus usuários e da comunidade. Divididos em equipes, eles realizaram diagnósticos e, a partir dos resultados encontrados, elaboraram propostas de serviços que pudessem contribuir para qualificar a atuação das unidades. Foram estudadas a Biblioteca Popular Comunitária Heleny Ferreira, localizada no Parque dos Coqueiros; a Biblioteca Sr. José Fernando Carneiro, da Sociedade Espírita Gotas de Esperança, em Neópolis; e o Espaço Infantil Zilinha, situado na Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM).
O trabalho começou com a observação das realidades encontradas em cada espaço e com a realização de estudos de usuários. Os estudantes buscaram compreender os públicos atendidos, suas necessidades e práticas informacionais, a forma como utilizam os espaços e serviços disponíveis e quais demandas poderiam ser melhor contempladas pelas bibliotecas.
Segundo a professora Ilaydiany, esse processo foi fundamental para que os estudantes compreendessem que a criação e o planejamento de serviços de informação devem partir do conhecimento sobre as pessoas que utilizam esses espaços. “Não basta criar um serviço porque ele parece interessante. É necessário compreender o contexto, ouvir os usuários, identificar suas necessidades e avaliar de que maneira a biblioteca pode responder a elas”, explica.
A integração entre as duas disciplinas permitiu que os resultados dos estudos fossem transformados em propostas concretas. Enquanto “Estudos de Usuários da Informação” possibilitou a identificação das características, necessidades e práticas informacionais dos públicos, “Serviços de Informação e Referência” contribuiu para pensar estratégias capazes de responder às demandas encontradas.
Diagnóstico e propostas
Entre os aspectos identificados nos diagnósticos realizados nas três unidades estão desafios relacionados à qualificação e ampliação dos serviços de informação, à mediação da leitura, à divulgação dos espaços e à aproximação com os usuários.

Outro ponto observado foi a ausência da atuação de bibliotecários nas unidades estudadas. Para Ilaydiany, a presença desse profissional pode contribuir para diferentes dimensões do funcionamento das bibliotecas, desde a organização e disponibilização dos acervos até a identificação das necessidades dos usuários, o planejamento de serviços, a mediação da leitura e a criação de estratégias de aproximação com a comunidade.
As propostas desenvolvidas pelos estudantes buscam ampliar o uso e a apropriação dos recursos disponíveis nas bibliotecas, além de apresentar novas possibilidades de mediação da leitura, orientação e acesso à informação. A intenção também é fortalecer a compreensão da biblioteca como um espaço dinâmico, capaz de oferecer não apenas livros e outros materiais, mas também experiências de aprendizagem, cultura e convivência.
Ao final da atividade, cada equipe reuniu os resultados da investigação em um portfólio, contendo o diagnóstico e as propostas elaboradas para a unidade estudada. Os materiais foram entregues aos representantes das bibliotecas em um evento promovido pela professora e estão disponíveis no Repositório Institucional da UFRN.
Da sala de aula à comunidade
Além de proporcionar uma experiência prática aos estudantes, a atividade foi estruturada para que os diagnósticos produzidos pudessem ultrapassar os limites da sala de aula. A expectativa é que algumas das propostas desenvolvidas avancem para as etapas de planejamento e implementação ao longo deste ano, em articulação com a disciplina Planejamento de Unidade de Informação, ministrada pela professora Andrea Vasconcelos.

Para Ilaydiany, essa continuidade é importante porque permite aos estudantes compreenderem que os serviços de informação são construídos a partir de um processo que envolve planejamento, execução, acompanhamento e avaliação. “A extensão possibilitou que o estudante ultrapasse os limites da sala de aula e tenha contato com situações concretas que fazem parte do cotidiano profissional. Eles precisavam observar uma realidade, ouvir usuários, coletar e analisar dados, identificar necessidades e, posteriormente, transformar essas informações em propostas de serviços”, afirma.
A experiência também reforça a aproximação entre a universidade e a comunidade. Nesse processo, os conhecimentos produzidos no ambiente acadêmico passam a dialogar com demandas concretas encontradas nas bibliotecas, enquanto os estudantes têm a oportunidade de aprender a partir das diferentes realidades sociais e institucionais observadas. “O estudante aprende com a realidade e, ao mesmo tempo, leva para esses espaços conhecimentos e novas perspectivas construídas na universidade”, afirma a professora.
Formação profissional
A atividade foi desenvolvida de maneira integrada especialmente nos dois últimos meses do semestre. Ao longo do processo, os estudantes participaram de reuniões semanais com a docente para discutir resultados parciais, revisar instrumentos de coleta, esclarecer dúvidas e amadurecer as propostas.

O acompanhamento ocorreu desde a definição das unidades estudantis e as visitas iniciais até a elaboração dos instrumentos, coleta e análise dos dados e construção dos portfólios. A docente atuou na mediação e orientação do processo, auxiliando os grupos a transformar as observações realizadas em questões de investigação e a compreender de que forma os dados poderiam fundamentar propostas de serviços.
A experiência também permitiu que os estudantes percebessem as particularidades de cada unidade. Para Ilaydiany, não existe um modelo único de serviço de informação que possa ser aplicado indistintamente a diferentes bibliotecas. As estratégias precisam considerar os públicos, os contextos e as condições de cada espaço.
Dessa forma, a iniciativa contribuiu para uma formação mais crítica e reflexiva dos futuros bibliotecários, ao relacionar conhecimento teórico, investigação da realidade e planejamento de intervenções. Mais do que desenvolver propostas de serviços, os estudantes vivenciaram etapas que fazem parte da própria atuação profissional: observar, ouvir, analisar, identificar demandas e transformar informações em possibilidades de ação.