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Envelhecimento das famílias influencia consumo de energia elétrica no Brasil

Portal da UFRN

Lyênia Monteiro de CCET/UFRN

Redução do tamanho das famílias diminui a economia de escala no uso de recursos e equipamentos domésticos. Foto: Acervo IBGE


O envelhecimento das famílias brasileiras e a redução do número de moradores por residência influenciam o consumo de energia elétrica no país, segundo estudo publicado em 2026 na Revista Brasileira de Estudos de População. A pesquisa analisou os efeitos da idade, do período e das gerações sobre o consumo de eletricidade dos domicílios brasileiros no século XXI e identificou mudanças nos padrões de utilização de energia entre 2002 e 2017.


De acordo com o estudo, a redução do tamanho das famílias diminui a economia de escala no uso de recursos e equipamentos domésticos. Isso ocorre porque residências com menos moradores tendem a distribuir o consumo de energia entre um número menor de pessoas, elevando a intensidade do uso de eletricidade per capita.


Os pesquisadores também identificaram um aumento na intensidade do consumo de energia elétrica nos domicílios brasileiros entre 2002 e 2017. O resultado indica que, além das mudanças na composição das famílias, fatores relacionados ao período analisado influenciaram os padrões de utilização de eletricidade.


A análise das gerações revelou que pessoas nascidas a partir da década de 1960 apresentam menor intensidade de consumo de eletricidade em comparação com as gerações anteriores. Segundo os dados, essa diferença pode estar associada a fatores materiais, como a urbanização e a ocupação de imóveis residenciais menores, além da substituição gradual de equipamentos por modelos tecnologicamente mais eficientes.


Os resultados destacam a importância de considerar características demográficas nas projeções de demanda energética. Para os autores, variáveis como idade, período e coorte de nascimento podem contribuir para compreender as mudanças no consumo residencial, complementando análises que priorizam apenas o crescimento populacional.


O estudo também aponta a necessidade de considerar as transformações na composição dos domicílios na formulação de políticas públicas. A incorporação dessas mudanças ao planejamento energético pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias de mitigação das mudanças climáticas no setor residencial.


A pesquisa é assinada por V. H. D. Diógenes, R. Ojima e R. P. da Silva, docentes do Programa de Pós-Graduação em Demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPGDEM/UFRN). O artigo, intitulado Efeitos de idade, período e coorte no consumo de energia elétrica dos domicílios brasileiros no século XXI: uma análise sob a perspectiva da relação população-consumo-ambiente, foi publicado na Revista Brasileira de Estudos de População, volume 43, em 2026.